22.12.09

Criança tem cada uma!!!

Minha linda e espevitada sobrinha postiça, num dia sonhado, disse de 'sopetão': "Tia Mila, por que quando gostamos das pessoas, nem sempre elas gostam também? Eu não quero ser gente grande; gente grande não sorri, não brinca, são muito brabos!"; e eu, na minha surpresa pela pergunta embora tenha vindo de um projeto de gente mais que sapeca, quis responder de uma forma que a cabecinha dela não ficasse pinel como a da tia (Pois!rs). Acho que consegui, pois minutos depois, ela estava mais traquina do que nunca e por alguns instantes quis ser a mãe dela para poder usar a autoridade que os pais têm. Ah, tem horas que ela fica impossível...rs!!!

Mas sua pergunta, apesar de direcionada, fez passar em minha cabeça um filme, com direito a tudo de uma vez só: aventura, comédia, drama, religiosidade, história, guerra, intrigas, amizade e claro, romance. Um filme de uns anos não tão distantes, de pessoas não tão presentes, de momentos nem sempre bons, de horas que valeram por uma eternidade. Um filme que me fez compreender como alguns passos fazem toda a diferença quando se trata de todo uma vida, de todo um alvorecer de possiblidades; e aí, não interessa o anseio de alguns por um espaço exclusivo, o desejo camuflado de um brilho solitário, do sentimento ferido pelo amor que não mais lhe pertence, ainda que esteja a seu lado; dos sorrisos espontâneos e quase infantis revelando a riqueza de um sentimento puro, fraternal, o olhar carnal e ao mesmo tempo cândido, ainda que sob a esfera de uma força maior que a sua, impedindo-o de ver; a esperança no trabalho realizado com competência e vontade de fazer diferente, as energias que se confluem mesmo com muitos contrários, a dúvida nas palavras que querem a verdade pra si, os interesses que regem o todo, os infindos aprendizados, as vaidades, as demonstrações de amor, de carinho sinceros e leais; enfim...
...fez-me novamente refletir que algumas
coisas que alicercam nossa vida são conquistadas minuto a minuto, são desejadas de hora em hora, são-nos apresentadas segundo a segundo e que, mais que nós, há todo um 'universo' de energias congregando-se por mim, por você, por todos. Talvez por isso, já não me surpreenda com 'n' situações, pessoas, atitudes, nem mesmo as minhas. Vou vivendo...fazendo a minha parte e assim, diferente de 2008 e maravilhosamente agradecida pelo 2009 (que trouxe coisas que nenhuma linha pode apagar!), sigo rumo ao próximo, ainda crendo que somos fruto de nossas escolhas, que a verdade é o melhor caminho, que o amor faz milagres e que o trabalho feito com este e com determinação, nunca é em vão, que seguir seu coração e consciência sempre valerá a pena!
Então, com um sentimento de paz e fé, desejo a todos um Feliz Natal e um 2010 de vitórias, de saúde, de conquistas, de amor, de muito trabalho e muitos sorrisos, de música, comunidades? hehehe...sim, de união e verdade; a mesma que me faz sorrir feliz ao ver a esperança nos olhos das minhas pessoas, de sentir o 'pensamento' saudoso e sincero das minhas 'passagens', a mesma satisfação ao perceber que meu trabalho está caminhando quando vejo braços abertos para mim, dizendo: 'seja bem-vindo!', ao ver meu 1° dindo dizer que tem coisas que não nos compete mudar, nem mesmo julgar, pois se estão lá é porque têm que estar, que se acontecem, um motivo demos, uma razão tem. Assim creio!

Aos que eu não puder contactar, mesmo estando a apenas alguns mínimos quilômetros distantes de mim, e que sabem fazer parte de uma forma singular em minha vida, um carinho de forma particular que me representa para cada um e que saberão ser meu!

Ps: No final das contas, depois da resposta da tia Mila, minha sobrinha agarrou-se a mim com o ímpeto que a inocência de uma criança traduz, abraçando-me com vontade e estalando um gostoso e sincero beijo em meu rosto. Não preciso dizer o quanto gostei de tal ato da minha pequena traquina, né?!

Até 2010!



18.12.09

E ressurgiu o (bendito) pote!

Meus anjinhos,
quando retornei ao sítio há um tempo e vi este pote reerguido, não contive a lembrança e o riso saudoso daquele dia (como estava quente!!!). Por isso, não resisti e tirei esta foto em homenagem ao meu querido e muito giro professor, e a todos os coadjuvantes (o que me inclui, é claro!) de um agosto que passou, que c
omeçou muito bem e quase terminou em Pinheiro (hehehe).
Ps: Gente, tô ficando velha, não doida
(rsrs): errinho de comunicação básico dos 'lados'(so sorry!),enfim! O importante é que tudo fica bem quando acaba bem e assim foi!
Saudades de todos!

6.12.09

Consciência não tem cor!

Sempre faço um texto em homenagem ao 20 de novembro e expresso meu pensamento acerca de todo o cenário componente da causa negra, dentro do meu 'ainda limitado 'conhecimento sobre o tema. Este ano, ao invés de fazer um texto específico, resolvi falar de um grupo em especial e o cenário é outro, espacial e (por que não dizer?) cheio de simbologias...
...bucólico, respirava tempos áureos num misto com o contemporâneo...Era 16 de novembro, São Luis (MA), praia grande, Escola de capoeira Mandingueiros do Amanhã e um grupo de jovens reunidos, entusiasmados, à espera do início de mais uma ação em prol da causa negra, em especial da juventude e de (penso que podemos assim chamar!) um desejo: ver seu trabalho dar certo, sua luta não ser em vão. Este grupo compõe o Fórum Estadual de Juventude que realizava a Abertura da Semana Jovem da Consciência Negra, com o lançamento da Campanha Contra o Extermínio da Juventude Negra.

Trata-se de um grupo de jovens maranhenses que representam o Fórum Estadual da Juventude Negra e que vem desenvolvendo um trabalho junto à juventude local, sobretudo nas áreas de baixa renda onde, infelizmente, ainda se concentra a maior parte da população negra no estado e no país. As ações vão desde oficinas de cunho sócio-educativo e cultural, além da participação em Congressos, Seminários, encontros de discussão visando um resultado positivo e, por que não dizer, mais justo para a população negra brasileira. Ainda partilho da idéia de que a educação é o melhor caminho e que mesmo que saibamos (e há dados estatítiscos comprovando!) que esta é uma medida que levará um bom tempo para dar um resultado eficiente, é de casa, continuando na escola e por aí vai, que deve ser o primeiro passo; e claro, todas as lutas paralelas casam com essa proposta em prol de uma sociedade mais justa (utopia?) onde não exista discriminação por conta da cor da pele ou qualquer outro tipo de racismo.

O encontro do dia 16 de novembro apresentou à sociedade o Fórum e as propostas que seriam apresentadas no período de 19 a 21 de novembro, em Salvador (BA), num encontro que reuniu pessoas de todo o país entre autoridades, representantes do movimento negro e afins. Durante o evento, em São Luis, as lideranças do Fórum estadual apresentaram a campanha nacional, promoveram uma mesa de diálogo, além de uma programação cultural que contou com a participação do grupo de capoeira Mandigueiros do Amanhã, comandados pelo mestre Bamba e da apresentação de um grupo de hip hop local. A programação extendeu-se durante toda semana com atividades que foram desde a apresentação de filmes, documentários, oficinas até uma caminhada, realizada no centro da capital, reunindo cerca de 50 a 60 pessoas.
Nunca escondi que meu envolvimento com a causa negra e todo o universo que dela faz parte vem de pouco tempo, apenas dois anos, ainda que antes tenha acompanhado em certa medida os acontecimentos, ações e etc e encantado-me com algumas histórias absolutamente inspiradoras e principalmente, reais; e pensar o movimento negro hoje não implica apenas em ações como essas, mas numa união delas, com consciência e conhecimento acerca do universo que a compõe, que dela advém, que vem sendo construído.

A partir de contatos mais próximos, alguns, diários com pessoas ligadas ao movimento e à causa, pude perceber o quanto ela é 'normal', do ponto de vista das disputas internas, dos jogos de poder, das relações sociais e acaba por não se diferenciar muito de outras esferas que não a causa negra; mas esta possui um 'q' a mais, seja na sua essência, seja nas pessoas que a congregram ou mesmo nas transformações que ao longo desses 400 anos, desde a vinda dos primeiros escravos vêm se manifestando em nosso país e no mundo, e que continuam a se manifestar, embora de forma lenta, mas efetiva; e a reunião destes jovens na semana em que se comemora o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares e que foi instituído pelo projeto de lei n°. 10.639, em 2003, dia da consciência negra no Brasil, mostra que estamos no caminho certo.

Muito se tem discutido, muitas ações têm sido feitas e avanços importantíssimos dados; e a participação de ong's, entidades negras, políticos, acadêmicos e uma leva de pessoas engajadas numa mudança que se constitui, na realidade, num direito, tem sido determinante na realidade atual que vivemos. Ainda não é o sonhado, mas não se pode negar os progressos, a longo prazo, é verdade, mas que estão ai e se cada um não fizer sua parte: sociedade, poderes público e privado, instituições e etc., não chegaremos ao objetivo no que concerne à causa negra, que não deixa de ser a causa de todo um país. Por isso, parabéns aos meninos e à iniciativa!

Para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do grupo que compõe o Fórum Estadual de Juventude Negra e do trabalho já realizado, pode acessar o blog: www.fojunema.blogspot.com.

28.10.09

Por que crescemos?!

Há alguns meses, alguém me disse: “sua comunicação é cheia de entusiasmos, emoções, sentimentos, tudo muito sincero e bonito”. Confesso que tais palavras longe de me deixarem intrigada, em virtude de porque e quem eram ditas, deixaram-me feliz. Quando ganhei este espaço virtual em 2007 de uma linda tosca, a princípio, não sabia ao certo o que escrever nele, estava acostumada ao papel. Mas depois ele tomou forma – a minha! e não mais parei. Não se trata de um blog científico, acadêmico ou como quiserem nominar, mas sim, um espaço que eu divido (e às vezes até substituo!) pelas agendas, cadernos e todos os papéis que ficam perto de mim e acabam sempre cheios de escritos, desde um texto bobo até uma crítica a algo que julguei importante no momento, enfim…não foi para falar do tipo de blog, mas sim, 'desse entusiasmo, emoções, que refletem muito do que sinto e vivencio, que ganhou forma por meio de uma cena que presenciei há quase uma semana, no território de Alcântara.

Acontecia na comunidade cujo nome significa: pedra, peixe e rio, o Festejo de Santa Teresa, padroeira da vila, e razão por eu estar a caminho dela, em pleno sábado de muito sol e de um calor quase infernal (nunca pensei que sentiria falta de um pouco de frio português…rsrs). Infelizmente não pude participar de toda a celebração, que durou duas semanas, mas pelo menos em um dia, fiz questão de estar lá e fazer parte de alguma forma da festa. Então, escolhi a véspera do dia da Santa, onde eram feitos os ajustes finais para o seguinte, que teria a procissão, o tambor de crioula, as ladainhas finais com as caixeiras e todo o ritual repetido há décadas por aquelas pessoas, que nessa época, se integram, não havendo rixas, desigualdades e sim, uma comunhão em toda a vila. E posso dizer isso com conhecimento de causa, pois vivenciei de perto. Porém, também não foi por causa da festa de Santa Teresa que escrevi esse post, mas pelo que vi antes de chegar à comunidade.

Quando se desce em Alcântara e pega-se um carro até uma determinada comunidade, passa-se
por muitas outras espalhadas pelo caminho. Até ai nada de diferente não fosse a paragem, nesse sábado, em uma delas, na beira da estrada, cujo nome não faço idéia, onde desceram mãe e filho. A casa para onde iam ficava do outro lado da pista e a criança, apressada, não esperou pela mãe que pagava a passagem, atravessando sob protestos preocupados. O menino deve ter entre 10, 11 anos e carregando uma pequena mochila nas costas, descia lentamente rumo à sua casa. Tratava-se, como em muitas residências quilombolas, de uma casa de taipa, telhado de palha, um cercado ao redor e uma cancela na entrada. Eu havia sentado do lado da janela da van, que por coincidência ficou de frente para a casa.
Não foi esse menino que me chamou a atenção e sim, uma outra criança, de aproximadamente, 5 ou 6 anos, que foi para a porta da casa, trajando calção verde, pés descalços e com um olhar ansioso. Foi esse ‘pingo de gente’ que me fez presenciar uma cena das mais belas e sinceras que já vi em toda essa minha existência.

A criança maior (creio que são irmãos!) descia devagar e o pequenino, quase em êxtase, correu até a cancela, sorrindo e ali parou, ofegante, como se pedindo permissão ao outro para continuar o caminho ao seu encontro. De repente, o menor sorriu e disparou, com os bracinhos abertos e dançantes até alcançar o irmão, que retribuiu o gesto com igual carinho. Nunca havia visto tanta alegria numa criança. Mais parecia uma cena de filme ou novela, e eu quase que escutava seu coração descompassado e feliz.
Pode parecer um relato bobo, mas aquela cena emocionou-me tanto, que não resisti a lágrimas silenciosas e quietas, na insignifcância de tudo mais em volta naquele instante, que se configurava agora inexistente, inclusive eu mesma. Talvez seja exatamente pela simplicidade e toda a carga simbólica que a cena trazia que me senti assim. Fez-me lembrar de quando fui à comunidade de São Sebastião, já na região do mearim, e conheci a pequena Geisa, que de início não queria saber de mim, mas eu, teimosa, cutuquei até que ela me permitiu a aproximação e acabou deitada em meu colo, contando entusiasmada e com a inocência que sua condição de criança lhe resvala, sobre suas bonecas e seu próximo aniversário. Fiquei toda prosa com aquela linda menina em meus braços e, principalmente, por sentir que ela e os dois irmãos de Alcântara, apesar de todas as dificuldades circundantes, são crianças felizes!
Posso dizer que só com aquela cena, ganhei o sábado!

Ps: Talvez devesse ter feito um ‘texto-síntese’ para contar essa história, mas como se trata de um espaço absolutamente livre e, sobretudo pessoal, dou-me a liberdade de extendê-lo em vários parágrafos (rs). De repente, a liberdade e até mesmo o dengo parecido com o de uma criança que passeia por vários lugares/mundos para contar, orgulhosa, que naquele dia caíra e machucara o joelho, ganhando uma tatuagem que logo sumiria com o tempo, mas que não chorara, pois era forte (rsrs)!

23.7.09

Beatles x Stones = a rock?!

Dia 13 de julho foi o dia do rock. Nada de novidade, visto que rock, para mim, tem um significado muito mais amplo (talvez normal) e até certinho do que os vários adjetivos que costumam lhe dar. Enfim, não vou falar muito sobre esse ritmo (?), estilo (?) tão antigo e ao mesmo tempo contemporâneo, porque já muito se falou e homenageou por toda a parte. O que posso dizer é que eu A-D-O-R-O! Cresci ouvindo de tudo (tudo de bom!) relacionado a música e rock'roll fez parte disso. Ainda era guria quando ouvia Beatles, Janis, Stones, Hendrix, Elvis, James Brown, Little Richards...e por aí vai.

Na realidade, já tinha desistido desse post. Ficou no rascunho do blog desde o dia 13, mas no sábado, uma discussão com um professor do mestrado, fez-me voltar a ele e pôr o vídeo abaixo. Havia uma festa de comemoração pelas defesas de teses da turma do segundo ano, num restaurante e dentre uma música e outra, não lembro como, começamos a falar de música e de rock...paramos no embate entre Beatles e Stones. Eu dizia que preferia Beatles, apesar de adorar Stones; ele me dizia que Beatles não era rock, que rock de fato, com toda a bagagem que ele trazia, era feito pelos Stones. Pois bem, a conversa se deu por horas e um teimava com o outro, mas...gosto é gosto, né? Ele continua achando que eu não sei nada de rock por gostar de Beatles, afinal, para ele, todos valem, exceto Beatles...e eu teimo que Beatles, apesar de considerados 'engomadinhos' e tal, era uma super banda e continuo a cantarolar suas músicas, a emocionar-me com elas e viajar por uma época maravilhosa. Assim ficamos! Ele com Stones e eu com os Beatles.

Temos graaaandes nomes do rock nacional e internacional, e claro que os quatro garotos de Liverpool não são soberanos e para alguns, sua música nem é considerada rock, mas para mim, eles têm um sentido todo especial: é uma banda que faz parte da minha infância, das viagens com meus pais, das brincadeiras, do violão sb as bençãos da lua cheia, de quando meu pai ensaiava com a banda nos fins de semana, e lá estava eu, pirralha, a passear entre os instrumentos e aquele cadernos enorme cheio de letras...enfim...de tudo
Certinhos ou não, polêmicos ou não, Beatles para mim ainda é uma grande banda e continuarei a tê-la em minhas discografias. E com a canção Money, faço minha homenagem ao dia do rock.

Ouxe, que deu saudades agora!

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Quilombolas e alguns sonhos!

Estava eu passeando pela globo.com (isso já faz algum tempo) para saber o que acontece no Brasil, quando me deparei com uma reportagem que me fez lembrar dos quilombos de Alcântara e de algumas pessoas especiais que conheci por lá.

A matéria contava a história de dona Maria Rita, de 111 anos que mora em Sergipe e tinha um único e grande sonho: ter uma casa de alvenaria. Com dez filhos, cinquenta e nove netos e cinquenta e sete bisnetos, esta jovem sergipana filha de escravos fez apenas uma exigência: que sua casa tivesse banheiro dentro do espaço e não no quintal, como ocorria na casa antiga.

Ao ler essa reportagem e ver a imagem de dona Maria, lembrei de algumas figuras maravilhosamente cativantes que conheci durante o trabalho nas comunidades remanescentes de quilombos de Alcântara. Muitos deles, perto da idade de dona Rita e ainda com uma vitalidade e memória incrivéis e com o mesmo problema (casas de taipa, sem banheiro ou fossa), porém com outros sonhos. Casas simples, sem infra-estrutura, muitas sem luz até, mas que nem por isso, afetavam a alegria dessas pessoas. Claro, tinham suas reclamações, mas nada apagava o vigor que se via no brilho de seus olhos.

Assim como em muitas comunidades espalhadas pelo Brasil, as de Alcântara também vivem uma realidade de muitas faltas: educação, infra-estrutura, saneamento básico, saúde e etc. Não foram poucas as pessoas com quem falamos, nem poucas as vezes em que percebemos ao chegar nas comunidades, as muitas necessidades que estas apresentavam. Faltam ações públicas e tudo mais nesses sítios quilombolas e ações que precisam ser imediatas. Além disso, deu-me tristeza ver que em muitas delas, não se dança mais tambor de crioula, não se encontra mais um terreiro de mina (religião que predomina!), muitas outras manifestações da cultura imaterial das mais de cento e duas comunidades percorridas. Ou seja, trabalho para ser feito lá tem muito!

Mais que a questão da infra-estrutura e etc., o que me chamou a atenção nessa reportagem foi a simplicidade de dona Maria, que me fez lembrar da simplicidade de um outro filho de escravo, quilombola, que sorria feliz ao me contar sua história, como sua mãe tratava os filhos, como ensinou-lhes as coisas e ao contrário do sonho de dona Maria, o dele, que também era solitário, era apenas uma dupla: saber ler e escrever e não só assinar o nome. Assim seu Joaquim lamentava e apresentava uma sabedoria de vida como poucas vezes vi. Sua fisionomia lembrava um preto velho, com sua barba branquinha e uma feição serena. Eu, embebecida por aquela figura, em minha pouquíssima experiência de vida (para não dizer nenhuma!), disse-lhe apenas que a vida tinha feito certo, pois se ele soubesse ler e escrever com aquela inteligência, sabedoria, perspicácia, não prestaria (rsrs), definitivamente não daria certo. Ele riu! Não sei se o que me encantou nele foi sua sabedoria ou simplicidade; ou sua figura emblemática...só sei que apaixonei-me!

Com certeza, é alguém que não mais esquecerei e que espero ter o prazer de tornar a ver e prosear em muitas tardes quilombolas; assim como também espero ver aquele território melhor assistido, ver as mães-de-santo não mais se esconderem, ver crianças já não mais andando léguas na beira da estrada, correndo risco de morte para estudar...assim como darei minha contribuição, ainda que pequena, com meu trabalho.

Oxalá permita!

19.7.09

Algumas heranças vêm a calhar!

Tô pensando seriamente em adotar minha descendência indígena na feição.(rs) Decididamente, em algumas ocasiões, ser simpática e educada não dá bons resultados; sobretudo quando se tem como companhia o sexo oposto. Ainda não aprenderam que cada é um e tem opiniões e ações próprias?! Ouxe!

Segundo os relatos de minha avó amada, meu bisavô era índio roxo (daí vem eu ser seu roxo cru?) e bravo, cara fechada, mas de coração bom, principalmente com as mulheres...sua história dava um belo livro, mas outro dia eu a conto. Pois bem, assim que cheguei a Mação, conheci dona Cris Buco que ao olhar para mim disse: "Essa aí, do nariz para baixo é negra, mas para cima é índio toda"...depois, em sua casa, como eu gosto de sentar no chão e andar descalça (hehehe), ela também disse: "essa aí é índia toda, nunca vi!"...pois bem, em alguns momentos eu deveria ser mesmo. Acho que me ajudaria a encarar algumas situações sem remorsos ou coisa parecida! E falo remorso, porque tenho a péssima mania de pensar no outro e no fim...bem, isso já é outra história!

Nessas horas eu vejo como a vida é engraçada! Você somatiza tanta coisa e mesmo quando situações que na realidade não são inéditas na sua exitência acontecem novamente, parece ser a primeira vez. Tem horas que acho que uma rasa-amiga tinha razão ao dizer que ao invés de ter estudado comunicação e agora arqueologia, patrimônio e tudo mais, deveria ter estudado comportamento humano (rs). Daria uma boa profissional...hehehe!

Ps: Albert,amore de mi vida, não é nada consigo,tá?!...hehehe..dessa vez foi comigo mesma!

"Todo Domingos"

Estávamos eu e uma tosca conversando no google talk, quando Albert resolve tomar posse do google, invadindo-o com o link da página de Flávia Bittencourt e seu novo disco, em homenagem ao mestre Dominguinhos. Santa hora que ele o fez! Desde os meus tempos de rádio que já acompanho o trabalho de Flávia e para mim, cada tempo que passa ela amadurece mais enquanto cantora e esse novo disco não me desmente. Está simplesmente maravilhoso! Já sabia que ela o estava preparando, mas pensei que só teria acesso ao voltar pra Ilha. Pra minha sorte, não foi assim. Que bom!

Flávia Bittencourt é maranhense e seu primeiro disco, Sentido, já mostrava o que essa jovem prometia. Infelizmente, em São Luis, muitos são os nomes que têm que sair do circuito local para tentar uma chance no eixo Rio-São Paulo e com ela não foi diferente.

Todo Domingos faz uma leitura de grandes composições do pernambucano Dominguinhos, grande sanfoneiro e compositor da nossa música popular brasileira, que conviveu com nomes com Luis Gonzaga e outros. No disco, clássicos como Eu só quero um xodó, Arrebol, Contrato de Separação, Retratos da Vida, dentre outras músicas que falam do sertão, do amor, com simplicidade, com uma poesia singular do mestre. Com arranjos bem característicos do estilo Flávia Bittencourt, o disco conta com a participação do próprio Dominguinhos em muitas faixas na sanfona e divindindo o vocal na faixa "Diz Amiga". Pra não negar as raízes, na música Abri a porta, podemos sentir um pouco do reggae do Maranhão nos arranjos desse sucesso. Ficou tudo de bom. Outro destaque fica por conta de Arrebol, onde, como citou Albert no twitter, o falssete dela está um espetáculo!
Antes eu via uma Flávia mais tímida, mesmo nas entrevistas; ainda com certa insegurança. Hoje, ela está mais madura e segura de si no palco, entrevistas e tudo mais.

Começei a ouvir as músicas e a deliciar-me com os arranjos, as letras (Dominguinhos é Domiguinhos!), mas foi em Retratos da Vida que me vi, do nada a chorar. Bateu-me uma emoção com essa música que tantas vezes programei na voz de Djavan...não sei! Música, para mim, é uma coisa muito especial e esta, tem 'q' saudades de casa, de histórias...

Bom, o melhor em tudo isso é que no site de Flávia (www.flaviabittencourt.com.br) podemos baixar todas as músicas do disco. Pra vocês, deixo o vídeo com outro clássico: Lamento Sertanejo, que me lembra João do Vale, outro grande nome, mas que fica para um outro post, pois João é João!
O show de lançamento em São Luis acontece dia 23 de julho, no Teatro Artur Azevedo. Só posso desejar boa sorte e sucesso!
Parabéns, Flávia!

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16.7.09

Eu calculo, tu calculas, todos calculam?

Afinal de contas, o que é ser uma pessoa calculista? Seriam todos os fins de uma pessoa calculista ruins? Por que esse nome é tão pesado?
Algumas pessoas naturalmente organizam-se de forma a pensar em todas as possiblidades e ações. Isso seria errado se... nesse 'pensar' houvesse segundas intenções. Programar-se seria uma coisa negativa?

Estrategistas... pensar adiante, organizando-se para tanto é uma forma de estratégia? E seria tão ruim assim não deixar tudo por conta do acaso, mas esquematizar todas as possíveis ações, consequências, etc.?

Sensibilidade aflorada... que dizer de pessoas que se deixam levar ainda pela inocência de um dia ter crido no seu oposto, pelo simples fato de acreditar nas pessoas?

Nos últimos tempos essas palavras têm sido pronunciadas constantemente e percebidas pelo alheio, mas nem sempre com um bom olhar! Isto não seria de admirar não fosse o fato de serem 'percebidas' sob uma ótica muito pessoal e até mesmo induzida. Fez-me lembrar do quanto somos vulneráveis e passíveis de interpretações e pré-julgamentos; e do quanto nossa vaidade influi em tudo isso.

Quem mandou sermos sapiens mesmo?! (rsrs)...Evoluir dá nisso!
Como diz Lua(na)...Anyway!

1.7.09

Só uma luz?

"Só uma luz, é possível?
Só uma luz, pode ser?
Só uma luz no infindo tempo,
Só uma luz, é o querer!

Só uma luz pra esse drama,
Só uma luz pra pensar,
Só uma luz pra esse vôo,
Só uma luz para aí chegar!

Só uma luz que ecoa,
Só uma luz pra voltar,
Só uma luz que resolva,
Só uma luz pra selar!

Só uma luz é o que peço!
Só uma luz pra clarear,
Só uma luz nesse meio
Só uma luz pra encerrar!

Só uma luz pra saudade
Só uma luz pro pesar
Só uma luz pro caminho,
Só uma luz pra amar!

Só uma luz é o que peço,
Só uma luz a sonhar,
Só uma luz com os rostos,
Só uma luz a encontrar

Só uma luz?!"
(AS)

18.6.09

Pra que serviu mesmo meus 5 anos de universidade?

"O diploma não é mais obrigatório para o exercício da profissão de jornalista. A decisão acabou de ser tomada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal por oito votos contra um. O ministro Marco Aurélio Mello foi o único que defendeu a manutenção do diploma.
A partir de agora, fica a cargo das empresas decidir se exigem ou não o diploma para contratar um profissional. E os cursos das universidades continuarão sendo válidos. A diferença é que o governo não poderá mais intervir em casos que envolvam este assunto. " (texto extraído do blog do Noblat, em 18.06.09)


O assunto virou pandemia: todos os sites, blog's e amigos da área de Comunicação Social estão interligados nessa questão. Alguns revoltados, outros ainda ponderando. E olha que a decisão foi tomada a pouco!

Essa discussão acerca da obrigatoriedade do diploma para o exercício de jornalista vem de tempos, mas só agora o Supremo Tribunal Federal resolveu sentenciar para valer sobre o assunto. Infelizmente, da maneira errada e por 'n' motivos! Com a decisão, hoje sou comunicóloga, e além de radilaista, agora também sou jornalista, pois a 'desobrigatoriedade' da habilitação me permite isso.

Ok, experiências na área (ainda que em rádio) tive, mas e o resto? Minha habilitação é uma, mas legalmente eu não 'tinha' direito de exercer a profissão. Ou seja, será um rebuliço sem tamanho que ainda gerará muita discussão e com razão. Tudo bem que antigameeeeente muitas pessoas exerciam a profissão de radialista e jornalista sem ter passado por uma universidade, num tempo em que a exigência era saber o ofício. Muitos se empenharam e hoje até são (com mérito!) referência para muitos jovens profissionais de comunicação...só que isso se deu numa época em que o contexto era absolutamente diferente do atual. Os tempos são outros e as exigências também o são (ou deveriam ser!).

Também é fato que tem muito autodidata com talento para área, que não consegue entrar na universidade e acaba se tornando melhor profissional que muito acadêmico pelos bancos das Ufmas da vida. Ainda assim, não justifica a decisão do STF. Trata-se de um assunto muito delicado que infere e muito na relação 'profissional-empregador', e que se formos pesar, não é uma decisão justa para com os profissionais que passam anos de sua vida numa academia, entre teoria e prática, ralando para se tornar um bom comunicólogo e conseguir seu espaço num meio cada vez mais concorrido e muitas vezes, desigual, onde o 'QI: quem indica' - acaba por prevalescer.

Agora é esperar e ver como as discussões vão se desenrolar sobre o assunto e se haverá uma ação contra!
O mais gozado de tudo é que a reinvidicação partiu do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal, que pedia o fim da obrigatoriedade do diploma.

É a vida!!!

17.6.09

Entre livros e eles, elas!

Hoje, às 4hs da manhã, em meio a tantos livros e apontamentos, parte de uma rotina que nos últimos tempos tem sido minha companhia mais que qualquer coisa, após as últimas viagens, permiti-me uns minutos de descanso e como quase sempre, ocupei-os com uma das minhas paixões: música!
Busquei algo que já tinha no Pc, quando lembrei de duas pérolas que havia encontrado na internet (santa tecnologia!): Amália Rodrigues e Billie Holyday

A primeira, uma cantora, fadista e atriz portuguesa que se estivesse viva, atingiria hoje seus 89 anos.
Minha aproximação com sua música não foi por intermédio de um português, mas pelo trailler do filme que conta sua história, lançado assim que cheguei a Portugal. Como gosto de biografias e essa era sobre a 'Rainha do Fado', logo meu interesse se manifestou. Pesquisei e pronto, já estava encantada!

Fuçando na net, acabei encontrando Amália e nada mais, nada menos que o mestre Vinícius, com a música 'Saudades do Brasil em Portugal', feita para ela pelo poeta, gravado em 1968, numa temporada de Vinícius na terrinha. É tudo muito espontâneo e talvez por isso mesmo, tenha ficado maravilhoso!
Como pode alguém descrever com tanta poesia, sentimentos que não são uma parte sua, mas o todo de uma infinidade de 'outros'?

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A segunda, uma norte-americana da Filadélfia, mrs. Billie Holyday!
My Man foi o primeiro sucesso que conheci dessa diva. Assim como muitas artistas negras, num EUA dos anos 30, 40 e 50 (e até hoje!), Billie teve uma vida de dificuldades e lutas, acompanhada dos muitos vícios que o meio artístico oferece. Se estivesse viva, completaria 94 anos. E que voz, que olhar forte...se na primeira, Amália tinha Vinícius a acompanhá-la, Billie tem o mestre Louis Amstrong. Não precisa dizer mais nada!

Lembrei de Albert, dizendo: "Oh, mulher pra gostar de defunto! " (rsrs). Fazer o quê, a não ser deixar-me embalar por eles?


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Sem mais comentários!

16.6.09

Presente de Dani, então...

Este é mais um meme que respondo, enviado por Dani linda.
Amiga? Parece aqueles cadernos de confidências que tínhamos quando pré-adolescentes (tive vários), com uma série de perguntas que as pessoas respondiam sobre vc. No caso do meme, vc responde, mas a idéia é a mesma (rsrs). Lembrei de quando eu corria atrás da galera para responder o meu. Acho que ainda tenho uns (rsrs). Fui uma adolescente quase igual às outras...hehe...tempos bons. Deu saudade!

Presente seu, respondo com prazer! Gd beijo e obrigada pelo selo!


Obs: Dani e eu nos conhecemos embaladas por aquilo que adoramos: música e cantar, no núcleo de programação musical da rádio, há alguns anos e desde então a amizade só amadurece! Casou-se há menos de duas semanas e deixou-me muito feliz, pois sei que realizou um desejo! É uma pessoa meiga e de voz delicada, suave, que respira mpb e que eu adoro!
Espero que gostes!
As perguntas...

- MANIA - Nossa! São tantas...andar com um mp4 no ouvido quase 24 horas por dia. Tenho uma folga, música! Algumas pessoas acham que sou tosca, pois gritam e eu não respondo (rs). Oh, gente! Não escuto, porque o volume está sempre nas alturas!
- PECADO CAPITAL - Sou chocólatra! Então...
- MELHOR CHEIRO DO MUNDO - o meu (rs)... do mar!
- SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA, EU FARIA... - tudo que me trouxesse prazer, alegria, paz!
- CASOS DE INFÂNCIA - Eu vivia no colo dos amigos dos meus pais, nas festas que ele faziam ou quando meu pai tocava. Tanto birrava, que eles já me levavam junto...hehe...queria ser gente grande antes do tempo!
- HABILIDADES COMO DONA DE CASA - mudar as coisas de lugar serve?! (rs)
- O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA - lavar banheiro e roupa
- DESABILIDADES COMO DONA DE CASA - (kkkk)..todas!
- FRASE - Somos reflexos de nossas escolhas!
- PASSEIO PARA ALMA - O mar, música!
- PASSEIO PARA O CORPO - Hum...deixo descobrir!
- O QUE ME IRRITA - Não costumo me irritar fácil, mas não gosto de mentiras e julgamentos sem prova!
- PALAVRA OU FRASE QUE USA MUITO - Que cú de xita! Oh, bb! Meu anjinho..! (rs)
- PALAVRÃO MAIS USADO -Não sou muito de palavrões, mas às vezes gosto de dizer: 'Puta m...'
- DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO...- Vixe! Amiga, demora muito pra isso acontecer, mas quando acontece é porque estou no limite! Depende da situação e pessoa!
- PERFUME QUE USA NO MOMENTO - Não sei o nome,acredita? Mas é doce, sem enjoar!
- ELOGIO FAVORITO - Quando meu pai diz: "admiro sua determinação!"
- TALENTO OCULTO - Fico com vc, Dani! "O pescador tem dois amor, um bem na terra, um bem no mar..."
- NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA, NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO - piercing!
- QUERIA TER NASCIDO SABENDO...- o que hoje sei e o que ainda aprenderei!
- SOU EXTREMAMENTE - paciente (ainda!)

As regras deste meme são:

O selo vem acompanhado de algumas regrinhas:

1- Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog ( feito);
2 - Copiar e responder a um questionário (acima);
3 - Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre.

Para continuar o meme, indico: Tosca-mor: doida e santa; Poly: música para comer; simone: poderia ser eu; Virgínia: Fantasticamente simples e Flávia: Me deu na telha...eu falo é mesmo!

Mãos à obra,meninas!
Beijinhos!

10.6.09

Superação

Nunca desistir na primeira gongada, nem na segunda...nem nunca!

Superar sempre!

Ver o erro, corrigir! Mesmo sem nunca ter visto ou trabalhado com 'ossos' : fêmur, epífase, diáse, etc; vir de uma realidade diferente (o que não justifica!), enfim...

acreditar!

Eu acredito!

9.6.09

For you, my dear!

Fui cobrada ontem: por que nunca digo (diretamente) mais sobre mim. Estou nos meus textos, disse. Mas não foi suficiente. Então...

Nunca fui uma pessoa de desistir das coisas, nem das pessoas. Talvez complascente demais, é verdade! Mas como minha vida vem tomando um rumo a princípio não planejado (que creio eu estar escrito, pois não vejo outra razão para que tudo acontecesse assim), às vezes pergunto-me por que neste sentido pareço teimosa em não desanimar: seria mesmo perseverança?!


Em menos de dois meses embarquei numa jornada desconhecida, desejada por muitos e absolutamente resvalada por minhas esperanças. E joguei-me nela, depois de muitas lutas, muitos sacrifícios, muitas lágrimas, mas também muitos sorrisos e fé. Tudo isso porque para algumas pessoas, as respostas para as escolhas feitas ou o resgate de débitos passados se pronunciam sem temor; e fui!

Fui e encontrei-me numa redoma de diferenças, de línguas, de egos, de simplicidade e de conhecimento. Muitos conhecimentos! Um tanto atropelados, talvez...muita coisa ao mesmo tempo, com perfis e bagagens distintas num mesmo espaço, o que significa assimilações também distintas. Mas todos têm seu encanto, seu ponto forte e comigo não foi diferente!

Em algumas ocasiões, ser uma comunicóloga mais à avessa que pode existir, atrapalha. Pergunte-me o que quiser numa conversa informal sobre meus trabalhos ou 'conhecimentos' e vais ter a pessoa mais tagarela que já viu; mas dê-me uma platéia e as coisas mudam de figura.
Estar sob as lentes, holofortes, ser o centro ainda que por minutos nunca foi meu forte. Palestras, Comunicações sempre foram difíceis (meus amigos e colegas que o digam!)... mas nada que práticas constantes não ajudem. O certo é que sempre gostei de trabalhar por trás das câmeras, não na frente! E como gostava (era [ainda sou!?] uma máquina de trabalho. Sem horários pra almoço, cafezinho, nada)...fiz muitas amizades! Sempre sorrindo (espontaneamente e não só por educação!), solícita, carinhosa até, o que as vezes me causava problemas quando se tratava de rasos. Nunca esqueci a entrevista com o escritor Thiago de Melo, no Vila Rica...foi incrível e como ele foi raso (rs)!. Assim segui...até aqui!

Falo muito em 'muitos' momentos, e dependendo do 'círculo' falo quase nada (para alguns sou um mistério em forma de gente): expressão séria, olhar direto [que devo ter herdado do meu bisavô índio!], feição moleca (difícil acreditar!), que se solta e causa espanto em que vê justamente pelo lado bravio indígena.

Mas assim caminho...e quanta coisa diferente do que era minha labuta: pré-história, evolução humana, geologia, lítico, arte rupestre...confesso que de início assutei-me, mas depois as coisas foram se encaixando e fui me encontrando e hoje posso dizer que faria tudo de novo: todos os sacrifícios (que não foram poucos e que detiveram uma imensadão de amigos!), todas as preocupações e noites de sono perdidas (minhas e dos meus!) por não saber como se resolveriam determinadas coisas! Algumas pessoas não têm idéia do quão preocupado pode estar um sorriso expresso num momento de descontração...

Muita coisa para mim ainda precisa de bases
mais forte: alguns "chumbamentos" no histórico (por bobagem, até...saber a resposta e trocar as bolas por estar sob pressões 'exteriores'); alguns contratempos, alguns olhares tortos...nada que concentrar-se nos seus objetivos e nos livros não resolva (rs)!

Talvez por não ter medo das falhas, derrotas, contratempos, e por gostar de estar em movimento, trabalhando, realizando, não desista das minhas coisas, a não ser que aprenda com a vida que assim deve ser! Chorar sempre que tiver vontade, brigar se for preciso (mesmo detestando brigas!) e continuar...não disseram que o que é admirável em mim é que eu gargalho das dificuldades e não desanimo?! Então, que seja!

O amanhã? Não faço idéia, mas idealizo-o e busco. Busco em paz, tranquila, tentando fazer meu melhor! No meu tempo...

Respondido, jovem?!

1.6.09

'O tempo...sempre ele a se manifestar!'

Somos tão tolos às vezes, que quando percebemos, mais tolos parecemos ser!

Quão enganoso é o olhar dos largos sorrisos, dos gestos psedo-espontâneos, das discussões silenciosas de um espaço onde confluem muitos interesses, muitos desejos, muitas vaidades... e quão traiçoeiras podem ser as vaidades, quando não se sabe com ela lidar!


Quão espontâneas são as manifestações de amizades dúbias, de galanteios condicionados, afetos puros como uma criança, sedentos como o meio termo entre o impulso e o amadurecer...

Quão velozes tornam-se as histórias e estórias, que de um minuto se transformam em uma eternidade, absurdamente diferente do contexto original; e quão apruto espanto nos toma quando somos o enredo...

Inocência, malícia, prudência, falsos impulsos...
fantasia, realidade, transformações...

Como lidar? (rs) Não se lida. Reage!

Você vê, compreende, interpreta, sente...confia naquilo que acredita ser a 'verdade' do seu coração e continua. Continua porque crê no que aprendeu a ser através do amor e do sangue; naquilo que é a sua 'natureza'!...continua a trilhar seu caminho em paz, feliz, sorrindo das dificuldades, agradencendo-as por tornar-te forte, bendizendo as alegrias... e continuas... com ele, o tempo!...sempre ele a se manifestar!

13.5.09

121 anos de uma 'pseudo-abolição?'

"Declara extinta a escravidão no Brasil:

A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:

Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém."
121 anos depois...
Encontramo-nos em um quadro onde algumas mudanças evidenciam-se, é verdade, mas cuja ação ainda encontra-se no princípio do esperado. Dona Isabel nos deu uma (pseudo)liberdade, mas esqueceu de nos dar condições de sobrevivência em meio a uma sociedade ainda escravocrata na ação e no pensamento, o que resultou em negros pobres, analfabetos, bêbados, 'bandidos', sem perspectivas, sem a 'dignidade' tirada quando da sua África vieram. Como sobreviver numa sociedade assim? Tiraram as correntes do corpo, mas esqueceram-se de tirá-las do todo - continuaram acorrentados à sociedade.

Mão-de-obra de 'livre e espontânea pressão', os negros escravos de um Brasil colonial foram, como nos ensinaram os livros de história (real), "os pés e as mãos dos seus senhores...". Ou seja, sustentaram a economia nacional por quase 300 anos. Já numa fase de desgaste e com pressões sofridas do velho continente, o país viu-se obrigado a deixar os negros libertos, num processo que começou desde a extinção do tráfico negreiro, em 1850 até a abolição propriamente dita em 1888.

No Brasil de 2009 as coisas melhoraram bastante, temos que reconhecer. Entidades negras, Governo Federal e orgãos como a Fundação Palmares¹ contribuem para que as ações, políticas públicas, reinvidicações, etc. possam amenizar esses mais de três séculos, desde os primeiros tráficos negreiros. Segundo o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, "
a celebração desses 121 anos da abolição da escravatura no Brasil, só tem sentido se, de um lado, debelarmos a hipocrisia que grassa na sociedade quanto à questão racial (todos consideram que existe racismo no Brasil, mas ninguém se intitula enquanto agente de tal crime), e, de outro, dermos conteúdo real às aspirações de mais da metade da população brasileira."

Temos muito a comemorar. Mas como disse em um antigo texto, a mudança só se dará de forma efetiva se começar pela educação e esta tem que vir de nossa casa, passar pela escola e seguir...
Para que as políticas públicas funcionem de fato e possamos num futuro não tão distante viver em sociedade de uma forma justa e igualitária cada um tem que fazer sua parte.

É mais provável que o ato da princesa Isabel não tenha sido por pena do sofrimento dos negros escravos, entretanto foi um passo importante, embora um tanto deficiente. Por isso, comemoremos o 13 de maio, sim!





¹Entidade pública brasileira vinculada ao Governo Federal,através do Ministério da Cultura, instituída pela Lei Federal n°. 7.668, de 22.11.88 e tem entre seus objetivos principais "[...] promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira."

12.4.09

Páscoa!

Hoje é domingo de Páscoa. Mais um! Também o primeiro longe de muitos, com uma saudade apertaaaaadaa! Mas feliz!

Minhas recordações acerca da Páscoa são de momentos como irmos todos para a casa dos meus avós, uma mesa farta, a família toda reunida...muuuuito chocolate (rs)! E claro, adorava quando passavam os filmes que retratavam a vida de Jesus, chorava (e ainda choro sempre). Mas acho importante a mensagem que a Páscoa traz, de fraternidade, de união, de perdão. Não falo do catolicismo, mas de todas as religiões e de nenhuma. Falo de algo que independe delas, mas é completamente dependente de nós e nossas ações, sentires...
Então, Feliz Páscoa a todos! Feliz Páscoa com o sentido mais sublime que ela pode ter!

"Se você não quer, tem quem queira..."

Dia 7 de abril foi um dia de perda para a cultura maranhense. Perdemos mestre Vieira, aos 88 anos, para uma enfermidade já conhecidade de muitos – um AVC.
Prosador como poucos,
Vieira teve uma história simples, mas repleta de bom humor, de sonoridades, de sorte e poesia!


De uma sinceridade e simplicidade ferrenhas, Antônio Vieira nasceu em 9 de maio de 1920, em São Luis, Maranhão. Nasceu na Rua São João, perto de onde se respirava (e por que não dizer que ainda restam alguns sopros de ar?) cultura, musicalidade, ‘povão’ e intelectuais num mesmo reduto, inocência e causos. Muitos causos. Foi criado por sua madrinha por muitos anos, tendo nessa época vivido uma vida com certo conforto, porém teve que voltar para a casa da mãe com a morte do padrinho e junto com eles lutar pela sobrevivência. Mesmo em meio às dificuldades, sempre foi musical. Uma inspiração que fez com que, ainda menino, compusesse sua primeira música aos 16 anos – Mulata Bonita. De lá pra cá, foram mais de 400 composições, mas Vieira só começaria uma carreira artística já numa alta idade, gravando seu primeiro disco, O samba é bom. Mesmo com o cd pronto, seu Antônio continuava simples, sem muitas mudanças, mantendo uma vida normal, com apresentações esporádicas, além de entrevistas e participações em show’s.


Eu tive o prazer e a honra de tê-lo conhecido e convivido, ainda que pouco, com ele. Sempre que ia para o Centro Histórico, via-o. Era quase uma rotina! Trabalhar com cultura maranhense, num espaço como era o núcleo de Produção da Radium proporcionou-me momentos maravilhosos! - Antônio Vieira foi um desses momentos. Como adoro música e lidar com pessoas como ele (pela musicalidade, simplicidade e a idade carregada de 'heranças'), dá pra imaginar como foi pra mim, este contato.


De todos os encontros com o mestre, duas lembranças me marcaram de forma especial:

a primeira, a visão dele sentado na banquinha de revistas da Praia Grande, quase todos os dias, em seu misto de elegância e simplicidade, a ler e prosear, sempre solícito, conversador, alegre…;

a segunda, uma manhã na produção da Radium, em que ele seria o entrevistado no Santo. Lá estava Antônio Vieira sentadinho, esperando sua hora de entrar...conversa vai, conversa vem…um papo tão bom, que acabou com ele declamando um lindo poema seu, feito há décadas atrás. Eu, toda boba, estava em êxtase por ver a proesa daquela memória afiada e a beleza de suas palavras ditas com tanta sinceridade e emoção, que pareciam refletir sua alma. Sinceramente não sei se as outras pessoas na sala sentiram o mesmo, mas é uma cena que não sumirá de minhas boas lembranças pela vida que segue pra mim!


Agora, Pellegrini não vai mais poder me chatear com o “mulata bonita” e o 'belo partido’ que era seu Vieira! O que é uma pena, pois confesso que gostava quando ele me chateava com isso (rs)…não pelo partido, mas pelo contexto no todo.

Algumas coisas em nossa vida são muito singelas, tanto que nem sempre nos apercebemos delas. E alguns momentos como esses são um exemplo disso. Quem me conhece sabe que pra mim, esse tipo coisa mexe fundo, marca mesmo. E aí, não sei se deve ao que dizem ser a minha ‘velhice de alma’…vai saber?!
O fato é que não fico triste por ele ter partido em si (pois creio nos 'tempos'!), mas por não poder mais ver aquela figura a contar suas histórias, seus 'causos', cantar! Acredito que ele ficará bem! E isso já é um consolo. Resta-nos as boas lembranças e sua bela obra.

Vá em paz, mestre!


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