8.2.09

O roxo cru da Basica!

Algumas pessoas em nossas vidas passam tão rápido, que quando nos damos conta do quão importante foram e são, já não temos a chance de poder tocar, sentir, ouvir, aprender, amar...
Eu tinha (e sei que ainda tenho!) alguém assim. Já não posso tocar, ouvir, aprender, mas ainda posso sentir e amar. E isso vai ser pra sempre! Porque sempre que me olho, vejo-a; sempre que canto, sinto-a; sempre que me sinto afagada, sei que também ela lá está!
Hoje seria pra ela e é para mim, uma data especial.

Todas vezes que o dia 8 de fevereiro chegar, ela vai povoar como nunca minha mente e meu coração. Vou lembrar de sua linda figura (austera, às vezes; segura, forte!) ao meu lado, na varanda da minha casa, a contar história dos meus antepassados, a ensinar-me sobre a vida, a cantar seu hinos; assim como vou me lembrar das vezes em que fugia dela por causa do catecismo, das missas e ela sempre lá a me puxar (rs). Herdei muitas coisas deste ser, que teve que se impor num tempo cheio de preconceitos, o que deve ter motivado muitas de suas atitudes, nem sempre entendidas e nem sempre certas, talvez! Mas com certeza, sempre por amor aos seus!

Sábio aquele que sabe aproveitar a benção que é ter alguém em sua vida como eu tive, mas que pouco aproveitei! Por isso, hoje, aproveito a de ter pessoas lindas, de sangue e de coração, ao meu lado!
Sempre teu roxo cru!

3 comentários:

Luana disse...

Eu não sei se acredito nesses cuidados que se eternizam, exatamente qdo morre. Tu falas de sabedoria, de aproveitar daquele que pode nos oferecer, e eu lembro da minha mãe que poderia ser a minha avó. Ela sempre nos alertou que o dia da ida sem volta dela estaria chegando...nos últimos tempos, tenho sentido isso de verdade e dá uma vontade de chorar tão grande...o que me resta é aproveitar, sem ignorar que o amor q ela tem por mim agora, esse sim vai se eternizar pelo aprendizado.

Parabéns à Básica pelo roxo cru lindo que ela nos deixou.

Dani M. disse...

Oh Mila, acho tão lidana sua relação com a sua família. Deus conserve assim, esse amor verdadeiro que ultrapassa a distância e a morte.
Beijos querida. Saudade de tu!!

Alberto Júnior disse...

Realmente são poucos os que param um instante para ouvir o tempo e o silêncio. E também a beleza que há na sabedoria que não provém de títulos, mas da vivência.

Sempre disse que acho linda a tua estória de vida ligada com tua avó. Resgatarmos nossos valores através dos nossos próprios pares é digno!

E visualizar Dona Brasília, com seu ar imponente, com a delicadeza de uma senhora que não passou pelo mundo, deixou marcas é como ver um filme.

Mais surpreendente ainda é quando as histórias de pessoas assim como ela ficam marcadas no imaginário de quem com ela conviveu e que faz com que ela ressurja assim do nada por meio de pessoas que nem imaginávamos que tinha a visto.

Todas as vezes que meu amigo Allan falava com muita propriedade do que era a presença de tua avó na comunidade em que viveu, eu ria contido, aquele riso de tímido de quem compartilha o segredo. E o segredo era imaginar tua carinha ouvido aquilo tudo que ele dizia, com muito orgulho.

Duas coisas ele sempre ressaltou sobre tua avó que o marcaram para sempre: a voz daquela mulher e sua postura elegante e culta, mesmo simples.

Assim como tu, tenho grande frustração em não ter conhecido duas pessoas de minha família com as quais todos dizem que eu devo ter herdado as características: uma, a Elizabeth, pelas filosofias de vida que eram expostas do nada, como frases que hoje todos compreendem como lição de vida. Ela era irmã do meu pai e morreu com 15 anos, vítima de esquistossomose (uma pena!), e a outra é a Alice, irmão da minha mãe por parte de pai, que era uma cantora nata, dessas de rádio, aparelho com o qual ela mantinha uma relação de cumplicidade. Ouvia todos os programas, sabia todas as músicas das grandes cantoras do rádio e diziam ter uma voz parecida com a de Núbia Lafayette. Morreu também vítima de outra doença estúpida e que a segregou da convivência social: a hanseníase.

Estórias e histórias que eu acho que representamos muito bem e que das quais somos cúmplices e nunca nos cansaremos de repetir nem virar o disco.

Roxo cru!