13.12.08

Até quando vamos andar pra trás?

Estamos num século cuja "identidade" era pra ser de mudanças, de civilidade, de mais respeito (pra não dizer total) pelo ser humano e suas culturas.

Infelizmente, reivindicar seus direitos, garantidos por lei, não significa estar também garantido o seu cumprimento. Em outras palavras, resistir e persistir numa luta implica em muitas batalhas e muitos perigos. E estes nem sempre acabam da maneira certa!

Há uns dois dias, recebi um e-mail onde constava o repúdio por parte de um professor à situação descrita abaixo, que se deu de uma forma brutal e covarde.
Ao saber de mais detalhes, fiquei triste. - Triste pelo que aconteceu, triste pelas pessoas, triste por perceber que ao invés de seguir adiante, estamos [ainda!] longe de chegar ao desejado e casos como este, à contragosto, tendem a acontecer.

“No dia quatro de dezembro, por volta das 13hs 30min a Comunidade Remanescente de Quilombo dos Alpes foi, mais uma vez, brutalmente atacada. Desta vez o preconceito e a intolerância ceifaram a vida de dois líderes do movimento quilombola gaúcho: Joelma da Silva Ellias (Jô, 36 anos) Diretora de Eventos e membro do conselho fiscal da Associação do Quilombo dos Alpes e Valmir da Silva Ellias (Guinho, 31 anos) - vice-presidente da Associação do Quilombo dos Alpes, foram brutalmente assassinadas, além de deixar ferida Rosangela da Silva Ellias (Janja) - Presidente da Associação dos Moradores do Quilombo e tentar contra a vida de mais um dos membros desta comunidade.

O ataque ocorreu dentro da comunidade, sendo que Valmir e Joelma foram alvejados pelas costas. Segundo a comunidade o assassino Pedro Paulo Back, conhecido por alemão, morava na área do quilombo e já há algum tempo vinha ameaçando as lideranças. No domingo dia 30/11, disparou diversos tiros contra comunidade afirmando que: "o que esta ne
grada esta pensando, vou matar esta negrada".
Diante desta ameaça, a presidenta da Associação denunciou o fato ao INCRA que, por sua vez pediu que a comunidade procurasse o Ministério Público Federal.

Cabe salientar que a comunidade tomou todos os procedimentos legais, não havendo por parte do estado nenhuma ação em defesa e proteção do quilombo.

A Comunidade Remanescente de Quilombo dos Alpes a partir de Janeiro de 2005 foi auto reconhecida e Certificada pela União através da Fundação Cultural Palmares desde então, passa a ter sob a sua posse uma vasta área de terra, segundo indicação da comunidade, aproximadamente 142 hectares..."
(Texto de Paulo Edison Índio)

A história de luta das comunidades quilombolas no Brasil, em busca do seu reconhecimento, vem de tempos atrás e ainda hoje está acompanhada de acontecimentos como este, infelizmente. A terra continua a ser o ouro de muitos, o que implica, como disse um amigo, em estarmos numa versão "à la século 21", do século 18!

Entretanto, isto não significa 'desistir', pois se o fazemos, a luta de pessoas como estas não terão valido a pena!

1 comentários:

Alberto Júnior disse...

Mais doloroso de tudo é saber que um ASSASSINATO foi a culminância da violência gerada pelo RACISMO.